Para Toronto eu só tenho elogios. Uma cidade linda, limpa, organizada, com um sistema de transporte público que funciona direito e que tem um povo extremamente educado. É uma cidade rica, com 6 milhões de habitantes e relativamente nova. Fundada em 1754, tem hoje 255 anos, mas tudo parece ser “brand new”. À respeito da cidade, dedicarei mais tarde outro post mais completo, esse é para falar dos museus. Talvez por ser nova, a cidade transpira co
ntemporaneidade. Tem, sim, dois museus bem tradicionais, mas também uma coleção de museus curiosos, que valem a pena visitar dependendo do seu interesse pela proposta de
cada um. Há outros, mas tive tempo somente para esses dos quais falo um pouco aqui.
Art Gallery of Toronto (AGO) e Royal Ontario Museum (ROM)
Dos tradicionais, o Art Gallery of Toronto (AGO), museu de arte, onde eu poderia ver finalmente - mesmo que uma
pequenina amostra - Van Dyck, Monet, Picasso e Van Gogh, estava fechado em reforma. Toda a expectativa teve que esperar seis semanas até a hora de ir para No
va York. Mas esse museu, na verdade tem em seu acervo permanente, em maioria, de obras de artistas canadenses. O outro, Royal Ontario Museum (ROM), oferece uma rica mistura de ciências naturais, arqueologia, paleontologia, arte e cultura. Possui mais de 6 milhões de objetos e é um dos maiores museus da America do Norte. Gostei muito das recriações de ambientes domésticos dos mais variados períodos. Trabalho minucioso e de encher os olhos. A arquitetura de sua fachada ultramoderna já vale belas fotos. Vale a visita. Um show de cultura mundial em suas variadas formas de expressão.
E tem os museus de coisas. Sim, coisas como sapatos, roupas e cerâmicas.
Para mim, que curto arte, moda e cultura visitá-los foi bem divertido.
Bata Shoe Museum
O Bata Shoe Museum é um museu dedicado aos sapatos. Isso mesmo, sapatos! A estrutura física do museu é pequena, mas linda e suuuuper bem elaborada visualmente. A arquitetura externa do museu, inclusive, foi construída de forma a lembrar uma caixa de sapatos. Aquele monte de
sapato - resultado de coleção feita por (claro!) uma mulher - dão show de história e design. Tenho certeza que a Carrie Bradshaw já esteve por lá. Tem sapato de papa (o do lado aí é um sapato papal), de rei e rainha, de algumas celebridades, como os escarpins vermelhos de Marilyn Monroe, calçados de golfe de Tiger Woods e botas de Elton John e alguns deles, embora lindos, parecem mais objetos de tortura.
Textile Museum of Canadá
O Textile Museum of Canadá é pequenininho, mas tem uma coleção permanente de mais de 12 mil objetos que contam mais de dois mil anos de história de mais de 200 países e regiões do planeta através dos tecidos. São roupas cerimoniais, tapetes, quilts e artefatos relacionados à produção têxtil. Segundo a brochura da instituição, "servem para celebrar a diversidade cultural, conectando roupas, cultura e arte" e promover através disso "o entendimento da identidade humana através das texturas". Parece muito doido, mas é encantador. Explicando, pode-se ver nesses objetos a celebração das cores e texturas, da criatividade e da capacidade humana de misturar isso tão lindamente. Fica claro que, mesmo sem saber, quando produzimos os mais simples objetos cotidianos, imbuímos neles história e sentimentos. E fazemos bonito! Uma das salas parece um playground, onde o visitante vira criança novamente e é convidado a interagir com os objetos. Saí de lá decidida a trazer mais cores e novas texturas para minha vida. Engessada nos jeans, brancos, cinzas e beges (ugh!), senti naquele lugar o quanto as cores fazem diferença em nossos humores e na forma como interagimos com a vida. Parece exagero, mas sim, é verdade. Estando em Toronto, inevitavelmente você vai cair de amores pelos "scarfs", os chales-mantas-cachecóis-pashminas que as canadenses usam para se protegerem do frio ou dar um belo toque no visual, (ou que as muçulmanas usam como ítem obrigatório do figurino). Na cidade, como uma amiga, a Letícia que está morando lá me falou, por haverem muitos imigrantes árabes e indianos, pode-se encontrar scarfs maravilhosos, de todo tipo e tecido. Confirmo, porque mesmo depois em Nova York não encontrei tanta variedade quanto em Toronto. Essa história tá sendo citada agora, porque, na lojinha do Textile Museum, vi uns modelos de se amarrar mesmo, literalmente, feitos de materiais que não vi em nenhum outro ponto da cidade. O único problema é que depois de comprar um monte deles e voltar para o nosso Brasilsão ensolarado, nos damos conta de como o inverno demora a chegar e ainda passa rápido, ficando os benditos relegados a uma gaveta a maioria do ano por aqui. Mas ainda sim, vale a pena comprar, nem que seja unzinho.Gardiner Museum of Ceramic ArtE para finalizar, tem o Gardiner Museum of Ceramic Art, um museu que exibe mais de 3000 peças de cerâmica. Como já disse, a validade da visita está muito ligada ao interesse que temos pelo assunto. Eu, que já trabalhei como desenhista em peças de porcelana e que amo arte, curti muito a visita a esse museu. Trabalhos delicadíssimos e maravilhosos de pintura e design em peças de uso e decoração cotidiana. É o mais refinado dos museus visitados. Não permite fotos ou interação por parte do visitante, mas possui em suas instalações salas onde são oferecidos cursos e por onde podemos passear vendo as aulas em andamento (e todas estavam bem cheias). Tem um charmosésimo restaurante e assim como todos os outros museus, uma lojinha de souvenirs interessante (nesse caso, produtos bem caros). Um boa dica para quem gosta do assunto.Sites:Art Gallery of Toronto (AGO) - http://www.ago.net/Royal Ontario Museum (ROM) - http://www.rom.on.ca/