sábado, 8 de agosto de 2009

Toronto - Decisão 5 - Homestay e a verdade

A idéia inicial
Opção de hospedagem no país estrangeiro que proporciona o convívio com as famílias nativas, potencializando o aprendizado da língua e a integração cultural... Blá, blá, blá.

A realidade

Bom, vamos aos fatos: a grande maioria de meus colegas não externava as melhores impressões a respeito de suas famílias hospedeiras. Todos tinham um tipo de reclamação, algumas bobas (afinal, NÃO é a sua casa, ok?) e outras de se fazer pensar.
Pelos depoimentos e histórias que li, essa escolha pode ser o céu ou o inferno na sua viagem. Me parece, depois de viver tudo, uma grande loteria, questão mesmo de sorte, onde perder é um pouco mais fácil, com algumas histórias complicadas de famílias pouco hospitaleiras (ou bem abaixo das nossas graaaaaaaaandes expectativas que levamos junto com a bagagem) e alguns problemas culturais bem chatos, em alguns casos irreconciliáveis que forçavam o pedido de troca de homestay, o que pode acontecer com a devida argumentação junto a empresa que gerencia as hospedagens, afinal vc não é obrigado a aceitar o inaceitável. Mas no meu caso, o lado bom que viver isso prevaleceu ao final. Foi um experiência muito positiva. Fui umas da que tiveram sorte nesse negócio. Escolhi arriscar na loteria e embora não tenha ganhado um milhão (claaaaaaaro que haviam problemas), me arriscaria de novo. O que vivi validou a escolha.
O problema é que quando falamos de intercâmbio, temos (pelo menos eu tinha antes de me informar direito) a idéia de vivência tipo Intercâmbio Rotary Clube, com troca e integração, onde vc se torna “filho” da família que te recebe. Então, escuta bem, esqueça isso. As famílias que se dispõe a receber estrangeiros em suas casas nos programas de intercâmbio comerciais utilizam esse recurso como um adicional de renda. Um negócio, ok, com poucas motivações mais “nobres” que essa em sua grande maioria. Ter isso em mente coloca o seu nível de expectativa em um patamar real e se tiver sorte e ter mais do que esse tipo de relação com sua host family, muito bom para você, sortudo.
Família também tem um leque bem amplo para ser considerada como tal nessa história: pode ser sim, composta por pai+mãe+filhos pequenos (essa é imagem que temos e que os panfletos vendem né?), mas pode ser também uma “família” de pessoas separadas, viúvas com ou sem filhos, e mais umas boas variáveis. Você poderá encontrar na mesma casa outros estudantes, é comum eles hospedarem mais de um - na casa onde fiquei tinha outra moça, vinda da Turquia. Outra coisa, em Toronto, dificilmente você cairá em um lar genuinamente “canadense” (nem sei se tem isso lá), explica-se: sendo uma cidade de imigrantes, as famílias poderão ser descendentes de várias nacionalidades, indianos, gregos, italianos, portugueses (éééé). Onde fiquei, os dois (marido e esposa) eram gregos, estabelecidos no Canadá há uns 30 anos. Mas o importante é que falem inglês, o que acontecia (quase) o tempo todo. Quando surgia algum assunto familiar restrito, eu tinha que presenciar alguns diálogos ininteligíveis em grego. Mas tranqüilo, nada que incomodasse, isso acontecia pouquíssimo.

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